
Identificados no álbum: Aurélio Cunha; Joaquim Madeira. – 1937
Apontamentos sobre o jogo do pau português. -Traditional Portuguese staff fencing art.

Identificados no álbum: Aurélio Cunha; Joaquim Madeira. – 1937
Francisco Padinha era um gigante de bigode fininho, bem cuidado e com uma volta nas pontas. Tinha começado na luta greco-romana e evoluído para o levantamento de pesos. Natural de Olhão, Padinha pesava mais de 115 quilos, mas era capaz de levantar muito mais do que isso acima da cabeça. Desafiado num treino, sem preparação, levantou 128 quilos.
No início de 1914, ficou a saber-se pelos jornais que Padinha, sem rival em Portugal no que dizia respeito à força, tinha encontrado uma nova paixão, o jogo do pau. Há vários meses que treinava com um dos melhores professores do país, Artur dos Santos. E o mestre não lhe poupava elogios — Padinha, dizia, era rápido, elegante e com a souplese de um rapaz de 60 quilos.
“1914: Portugal no ano da Grande Guerra” – Ricardo Marques, 2014.
http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Francisco_Padinha
(…)
Quer larápios refinados,
que tenham ostentação;
homem de muito dinheiro,
que importa seja ladrão.
Fale bem, tenha palavra,
seja muito… eloquente…
embora não diga nada,
tem um culto reverente.
Mas o pior desta lesta,
este é o meu desconsolo,
os pobres roem as cascas,
os maraus papam miolo…
Os pobres vivem famintos,
quasi sem pão, nem camisa,
outros em risos e festas
sua existência desliza.
Só nos resta a pele e o osso
neste jogo malabar,
oh! que artistas tão distintos,
ninguém os pôde igualar!
Mas quando virá um dia
a terminar esta farsa?
Jogador de pau valente
para varrer uma praça?
Quando surgirá um braço
cheio de força e de orgulho,
empunhando com denodo
o mais famoso estadulho?!
(…)

(Festa do XII aniversário da Fundação da Casa do Pessoal da Empreza de Cimentos de Leiria)
Arquivo Histórico Fábrica Maceira-Liz 23,5 x 17 cm – Papel

“Palavra puxa palavra, e grande contenda lavra… Começa o jogo do pau”
-“Pim Pam Pum – suplemento infantil do jornal O Século” 1932
LINK: A Justiça de Fafe aos 24:10
A justiça de Fafe explicada por José Hermano Saraiva – 2002
José Hermano Saraiva, analisa a estátua da Justiça de Fafe, e descreve o que para ele é um erro naquela escultura, que representa um paisano a atacar um homem bem vestido, simbolizando um trabalhador a bater no patrão, e explica que a justiça de Fafe nada tem a ver com isso, mas sim e na minha opinião também, com o facto de naquela região, o policiamento só ter chegado muito tarde, e a justiça de Fafe era na verdade, a justiça particular, que os indivíduos tinham que fazer pelas próprias mãos.
Aula terminada com grande sucesso, 7 puxadores cheios de força.
Gepostet von Esgrima Lusitana Cascais – Jogo do Pau Português am Samstag, 1. April 2017

Demonstração de Jogo do pau nas festas escolares da Escola Académica, pelo professor Artur dos Santos, no Velodromo de Lisboa em 1907.
Para marcar a disponibilização dos arquivos da RTP deixo aqui o programa “Um Dia Com… Manuel Fradinho”
O Dr. Manuel Fradinho como podemos ver, era jogador de pau, e escreveu um artigo sobre a arte intitulado “Reflexões sobre o jogo do pau – Contributo para a sua análise”.
No link acima podemos ver Manuel Fradinho no programa de 1973, a jogar aos 1:30 e em várias ocasiões ao longo do vídeo.

No Cartaxo, houve anteontem, dia em que se realizou ali a procissão dos Passos, grande desordem, entre os habitantes de Pontevel e a de Vale de Ponta, que armados de grossos varapaus se agrediram valentemente, sendo precisa a rápida intervenção da autoridade.
Houve cabeças partidas, grande balburdia, e fizeram-se várias prisões.
Esperam-se novos motins.

A influencia do meio citadino vai desalojando por muitas aldeias os costumes. A facilidade de comunicações veio a integrar a corrupção no trajo hodierno.O varapau, a arma com que os enamorados se batiam pela sua bela, tende a desaparecer. Cede, por sua vez, o lugar à bengala tosca, grosseirona.
em “A nota elegre dos tribunaes” – Alfredo Pinto, 1892:
Apresenta-se para depor como testemunha um homem de meia idade, alto, reforçado, tipo de lavrador, a quem o meirinho interpelou sob o nome de Bate casacas.
Juiz. — «Diga-me o seu nome. Da alcunha não quero saber.»
Ele. — «Mas quero eu, que a herdei de meu sogro e respeito-o muito.»
Juiz — com verdadeira curiosidade : — «Desejava bem que me explicasse a razão disso.»
Ele. — «E’ bem simples: meu sogro, que gozava no sitio boa fama como honrado e valente, disse-me à hora da morte : Rapaz, conserva a nome de guerra por que todos sempre me conheceram, que te hás de dar bem. — Ganhei-o na festa da Senhora Santana, onde eu, com o meu varapau, corri mais duma dúzia de casacas que contenderam com minha mulher, com aquela santa que já lá está na terra da verdade! Usa, pois, do nome, do cajado que ainda conservo, e… bate casacas sempre que for preciso.
«E aqui está, sr. juiz, porque eu conservo essa alcunha e estou sempre disposto a manter-la e respeitar-la.»
Juiz. — «E conte comigo para fazer justiça ao seu nobre procedimento, com tanto que nunca se exceda.»