Brás Garcia de Mascarenhas

Em 1922, António de Vasconcelos, coloca o personagem histórico Brás Garcia de Mascarenhas(~1640), a ser auxiliado por valentes jogadores de pau. Os mesmos jogadores de pau do tempo de António de Vasconcellos, que pela descrição do texto os deve ter visto e conhecido no seu tempo, como bravos varredores de feiras. Para o autor, neste “estudo de investigação histórica”, pareceu-lhe razoável inserir jogadores de pau cerca de três séculos antes, num tempo e local onde esta prática faria o mesmo sentido que ainda tinha no inicio do século XX.

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(Brás Garcia de Mascarenhas)

Chega o dia indicado para a posse e banquete do intruso prior de Travanca.

Brás Garcia, acompanhado de alguns amigos armados com as suas espadas, e provavelmente levando consigo alguns criados, bons jogadores de pau, munidos de cacetes, constituindo todos uma pequena guerrilha de muy poucas pessoas, saem muito em segredo de Avô pela madrugada, e percorrem, com as devidas reservas e cautelas, os trinta e tantos quilómetros que, pelos caminhos velhos, medeiam entre Avô e Travanca. Teem o cuidado de se desviar dos povoados e de evitar que sejam vistos. Chegados a Travanca, cortam a direito em direcção à igreja, sem serem avistados da povoação, e surgem inesperadamente junto do presbitério, ao pé da carvalha que descrevemos.
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O acto da posse litúrgica havia de realizar-se pela tarde, depois do banquete, e este encontrava-se no seu auge. Aos ouvidos de Brás e dos companheiros chegavam as manifestações da ruidosa alegria dos convivas, e facilmente se notava que eram em número muitíssimo maior do que os que constituíam a guerrilha. Ouvia-se alem disso o vozear da gente do povo e da criadagem, que do outro lado da casa, no páteo da residência e no contíguo adro fronteiro ao templo, enquanto esperavam pela festa da igreja, com seus folgares ruidosos iam fazendo coro aos vivas e brindes que partiam da sala de jantar.

Torna-se pois complicado o caso. Acometer toda essa gente, embora de surpresa, seria um acto de louca temeridade.

Mas era tarde para hesitações, e Brás não era homem que recuasse. Não espera por mais.

Como um furacão entram todos pela porta dentro, e de espada em punho uns, outros de cacetes erguidos, caem sobre os convivas espadeirando-os e contundindo-os. Alguns conseguem saltar pelas janelas e pôr-se em fuga ; outros resistem, mas debalde. Uma confusão medonha, um motim infernal. Pelo chão, por baixo da mesa, rolam corpos feridos gravemente, jazem outros sem movimento.

Alguns dos convivas haviam-se escapado do presbitério para a que dá acesso por esta banda ao páteo da residência prioral. Esta fica por trás da carvalha ; e lá ao fundo, na extremidade da direita, descortina-se o telhado e parede da igreja, onde supuseram encontrar asilo inviolável. Faliu-lhes o cálculo. Ali mesmo foram feridos e espancados, ficando assim poluída a casa do Senhor, que ipso facto se tornou inapta para a celebração dos actos cultuais. Esta a explicação que tem o caso de encontrar-mos nos últimos meses de 1640 fechada ao culto a igreja paroquial de Travanca, e os ofícios divinos, que nela deviam realizar-se, a serem celebrados na igreja de Farinha-Podre, hoje S. Pedro de Alva.

Quando toda a resistência dentro de casa tinha acabado, os agressores descera ao páteo, para dali e do adro varrerem a populaça e criadagem. Então é que iam mostrar a sua valentia e a sua agilidade e perícia no jogo do pau os caceteiros do rancho, que levariam deante de si centenas de pessoas que lá estivessem. Mas quê ? Não encontraram ninguém. O pavor tinha-se apoderado de toda essa gente. Apenas ouviram os primeiros gritos de sobresalto e dor, acompanhados do tenir de ferros na sala de jantar, apenas viram os primeiros fugitivos saltarem das janelas e pôr-se ao fresco numa carreira desordenada, um pavor colectivo se apoderou deles, e, não esperando o próximo momento de entrarem em função, deixaram o adro e o páteo desertos, num abrir e fechar de olhos.

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“Brás Garcia Mascarenhas; estudo de investigação histórica” – António Garcia Ribeiro de Vasconcelos – 1922

O jogo do pau na história do Soajo aos quadradinhos; in english!
(“The Judge of Soajo”, texto e desenhos de José Ruy, Editorial Notícias)

Disponível à data em:
http://www.fnac.pt/O-Juiz-de-Soajo-Jose-Ruy/a807684

“A história, os costumes e as tradições da vila de Soajo, em Arcos de Valdevez, são preservados pela mão de José Ruy, o autor português de banda desenhada com mais álbuns publicados. A propósito da comemoração dos 500 anos do Foral de Soajo, a Âncora Editora reedita uma obra de valor inestimável pelo registo do rico património cultural, paisagístico e patrimonial desta aldeia singular, outrora sede do concelho.”

A espada a duas mãos – A forma como é utilizada atualmente, com uma guarda com um comprimento de quatro mãos ou mais, é mais adequada, não tanto ao combate um contra um, mas, pela sua habilidade, como um galeão cercado de galés, por si só, a opor-se a várias outras espadas ou diferentes armas. (…) é comum o seu uso em cidades, de dia ou de noite, sempre que um possa ser atacado por vários. Devido ao seu peso, que requer grande força, é utilizada pelos mais fortes de braço e de coração. Estes homens, vendo-se a ter que defrontar vários outros, por segurança e para aterrorizarem os seus adversários com a fúria da sua arma, fazem ataques com longos cortes, trazendo a espada a fazer um circulo completo, ora colocando o peso sobre um pé ora sobre outro, sem se preocuparem de todo em fazer pontuadas, pois segundo a sua opinião, os ataques de ponta apenas afetam um único homem, enquanto um corte, consegue lidar com vários.

Giocomo DiGrassi 1570 (via thescholarsruminations)

Se esgrime el palo en la provincia de Santander y montañas de Leon, en el principado de Astúrias y en algunas comarcas de Galicia.
En Francia en Auvernia y en el Franco-Condado.
En Portugal en la Beira alta e baja.

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“Arte de esgrimir el palo” Liborio Vendrell y Eduart – 1881

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=BnBjArmWGlM?feature=oembed&w=500&h=374]

“O jogo do pau acabou”
Neste vídeo podemos ver uma canção e dança sobre o jogo do pau, infelizmente já não podemos ver jogo do pau, pois como nos diz o cantor, ele já não existe, nesta aldeia pelo menos, e infelizmente em muitas outras. Agora só o podem cantar, e bater com os paus para os fazer soar numa coreografia que apenas nos faz lembrar algo que se perdeu.

There is no Jogo do pau anymore.
In this video we can see a song and dance about jogo do pau, however this is not a jogo do pau demonstration but a dance to accompany the song, as many other folkloric dances the group performs. The singer tells the story of a time when there was brave jogo do pau fighters in the village, and says that now, there is no jogo do pau anymore there (in this village and unfortunatly in many others). All they can do now is to sing and dance, in a choreography, just hitting the staffs in the air to make them sound and remember something that is lost.

A guarda do jogo do pau com a perna da frente dobrada, logo, com o peso na frente, não é uma invenção moderna ou adaptação de artes orientais.

Esta guarda é utilizada desde à séculos em várias formas de esgrima, inclusive na mais moderna esgrima olímpica, e como se pode ver, era também utilizada com vários tipos de armas, de curtas a longas, a uma ou duas mãos. Podendo haver algumas exceções, em algumas artes, ou situações que em o peso é colocado de outra forma, é no entanto a norma, a postura mais comum.

O amor, nas provincias septentrionaes, é um elemento obrigado de animação e de vida nos arraiaes populares. Abundam, como aqui se diz, os «conversados» ou, como nós dizemos no sul, os «namorados.» Cada rapaz, apoiado ao seu varapau, «conversa» com a namorada durante longas horas, umas vezes em verso, outras em prosa, quando nào é, alternadamente, em prosa e verso. E esse varapau representa uma espécie de estacada para conter em respeito os espectadores. Ai d’aquelle que se atrever a aproximar-se dos dois namorados e a intrometter-se no seu dialogo. Se o fizer, apanha immediatamente uma sova ;
é quasi sempre esta a causa das maiores desordens nas romarias do norte.

“Sem passar a fronteira”  Alberto Pimentel (1902)