O mestre José Ribeiro Chula

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Foi com o mestre António Moleiro de Valdéra, um antigo discípulo de Domingos Miguel, que José Ribeiro Chula Júnior recebeu as primeiras lições de jogo do pau.

Tinha então 17 anos, conta hoje 34, é natural da Moita do Ribatejo e, presentemente, joga no Barreiro e em Alhos Vedros.

Durante a sua carreira de mestre e de jogador tem feito uma notável propaganda do jogo do pau, tendo-se exibido no Barreiro, Coina, Azeitão, Setúbal, Grândola, Loulé, Moura, Atalaia, Montijo, Moita, Alhos Vedros e em muitas outras localidades onde o seu jogo tem sido sempre aplaudido.

José Ribeiro, que segue a escola de Lisboa, é um magnifico jogador, e na sessão de jogo do pau que há três anos organizámos no Ateneu Comercial, teve ocasião de pôr à prova todo o seu valor da sua classe, assaltando com os mais categorizados elementos que tomaram parte da aludida sessão!

A sua escola «a pura escola de Lisboa», é de grande eficácia; no ataque serve-se habilmente do pau, manejando-o só com o braço direito, o que é próprio do jogo lisboeta, e as suas pancadas enviesadas são muito perigosas, mesmo para os jogadores mais cautelosos!

As suas passagens, tento para o lado direito como para o esquerdo, são feitas com perfeição, e os seus cortes, claros e precisos, notando-se em especial uma grande rapidez no corte saído!

(…) e as cobertas laterais são executadas com toda a atenção, tendo sempre o máximo cuidado com as mãos!

José Ribeiro Chula tem vários discípulos no Barreiro e os melhores são José Policarpo e Joaquim Cunha, rapazes ainda novos no jogo, mas que, pela sua habilidade, constituem verdadeiras esperanças.

José Ribeiro é pois um belo jogador e um grande propagandista da modalidade a que se dedica, o que prova pelo notável desenvolvimento que, na sua região, tem dado à esgrima portuguesa, ensinando inúmeros rapazes, e tomando parte de várias festas desportivas, em que o jogo do pau faz parte do programa.

Sebastião D. M. Cerveira.

 

António de Sousa e José Pereira do Tanque – Alunos de mestre Calado – 1985

Parte do trabalho de investigação técnico e histórico do jogo do pau liderado pelo mestre Nuno Russo, nos anos 80, com objetivo de encontrar os mestres mais antigos do país, levou na pegada dos mestres Calado, pai e filho que ensinaram em várias regiões desde os inícios do século XX, como mestres ambulantes.
Infelizmente pouco se sabe sobre os mestres Calado, com quem aprenderam etc…, mas sabemos que ensinavam por várias zonas do país e que na altura desta investigação, eram tidos com grande respeito por grande parte dos jogadores de pau e conhecidos como os mestres mais antigos, conhecidos, em várias regiões.

Nas imagens, temos José Pereira do Tanque (José Batoque) e António de Sousa, ambos alunos do mestre Calado (Pai) a executar e ensinar o jogo do pau, como aprenderam com este mestre.

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Ao centro: António de Sousa, à direita: José Pereira do Tanque (José Batoque), Ambos alunos do mestre Calado (Pai) executando o jogo de 2 em frente.

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Executando o primeiro exercício ensinado pelo mestre Calado antes de começar o ensino do jogo do pau propriamente dito (Esquadria em mão)


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Nuno Russo e o senhor João Vieira Antunes à porta do cemitério onde no recinto exterior os mestres Calados davam as aulas de jogo do pau.

Vieira do Minho – Terra de origem dos mestres Calado (Pai e filho) “Os pretos”

Fotos tiradas em setembro de 1985 por Henrique Andrade

Histórias que ainda se contam

Pio Pinto de Almeida, pedreiro, natural de Marecos, Penafiel, um dia, há mais de cem anos, foi à festa de São Gonçalo, Amarante. Ao chegar, viu um homem a bater na sua mulher. Decidiu «meter a colher» e assestou duas bordoadas nas costas do biltre. Familiares e amigos do marido agressor tentaram vingar-se, mas o justiceiro Pio lá se foi defendendo, pois era um exímio lutador de pau. Entretanto o número de defensores do cobarde foi aumentando e valeu a Pio uma alma caridosa que o acolheu e o salvou de um linchamento da arruaça. Este homem que arriscou a vida para lutar contra uma injustiça era meu bisavô, o que muito me honra.

Américo A. Campos – 20 May 2015


 

Herminius – 1893

HERMINIUS
“Esta «troupe» portuguesa, que vai a Chicago mostrar os nossos costumes e diversões, como toques de guitarra, fandango saloio e jogo de pau, apresenta-se no Coliseu dos Recreios, ás Portas de Santo Antão, no sábado próximo, 5 do corrente.
A rapariga que baila o fandango é de Pataias, de onde é também um dos mestres do jogo de pau, o celebre Joaquim Agostinho. Dizem-nos, porém, que Gonçalves Dias, mestre do jogo do pau pelo sistema de Lisboa, é uma verdadeira maravilha.
É espetáculo que muito deve entusiasmar o publico.”

 

1º Aniversário da APJP – Encontro Inter-Escolas – Fundação Calouste Gulbenkian – 1978

Escola do Mestre António Portela (Abadim, Cabeceiras de Basto)

01 Escola do Mestre Portela (Abadim - Cabeceiras de Basto)
Jogo do pau – Escola do Mestre António Portela (Abadim – Cabeceiras de Basto) – 1978

Escola do Ateneu Comercial de Lisboa,  Mestre Pedro Ferreira

08 Jogo da Cruz do Meio
Jogo do pau -Escola do Ateneu Comercial de Lisboa,  Mestre Pedro Ferreira – 1978

02 Escola do ACL Sob a direccao do Mestre Pedro Ferreira
Jogo do pau -Escola do Ateneu Comercial de Lisboa,  Mestre Pedro Ferreira – 1978

Escola do Mestre José Quéo (Fafe)

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Jogo do pau – Escola do Mestre José Quéo (Fafe) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre José Quéo (Fafe) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre José Quéo (Fafe) – 1978

Escola do Mestre José Ribeiro Chula (Vinha das Pedras, Alhos-Vedros)

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Jogo do pau – Escola do Mestre José Ribeiro Chula (Vinha das Pedras – Alhos-Vedros) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre José Ribeiro Chula (Vinha das Pedras – Alhos-Vedros) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre José Ribeiro Chula (Vinha das Pedras – Alhos-Vedros) – 1978

Escola do Mestre Custódio das Neves (Lagameças, Poceirão, Palmela)

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Jogo do pau – Escola do Mestre Custódio das Neves (Lagameças – Poceirão – Palmela) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre Custódio das Neves (Lagameças – Poceirão – Palmela) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre Custódio das Neves (Lagameças – Poceirão – Palmela) – 1978

Escola do Mestre António Moleiro (Fafe)

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jogo do pau – Escola do Mestre António Moleiro (Fafe) – 1978

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jogo do pau – Escola do Mestre António Moleiro (Fafe) – 1978

Escola do Mestre Costa do Assento (Fafe)

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Jogo do pau – Escola do Mestre Costa do Assento (Fafe) – 1978

16 Escolas do Mestre Costa do Assento (Fafe)_2
Jogo do pau – Escola do Mestre Costa do Assento (Fafe) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre Costa do Assento (Fafe) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre Costa do Assento (Fafe) – 1978

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Jogo do pau – Escola do Mestre Costa do Assento (Fafe) – 1978

Francisco Padinha

francisco padinhaFrancisco Padinha era um gigante de bigode fininho, bem cuidado e com uma volta nas pontas. Tinha começado na luta greco-romana e evoluído para o levantamento de pesos. Natural de Olhão, Padinha pesava mais de 115 quilos, mas era capaz de levantar muito mais do que isso acima da cabeça. Desafiado num treino, sem preparação, levantou 128 quilos.

No início de 1914, ficou a saber-se pelos jornais que Padinha, sem rival em Portugal no que dizia respeito à força, tinha encontrado uma nova paixão, o jogo do pau. Há vários meses que treinava com um dos melhores professores do país, Artur dos Santos. E o mestre não lhe poupava elogios — Padinha, dizia, era rápido, elegante e com a souplese de um rapaz de 60 quilos.


“1914: Portugal no ano da Grande Guerra” – Ricardo Marques, 2014.

http://www.forumscp.com/wiki/index.php?title=Francisco_Padinha

(…)

Quer larápios refinados,
que tenham ostentação;
homem de muito dinheiro,
que importa seja ladrão.

Fale bem, tenha palavra,
seja muito… eloquente…
embora não diga nada,
tem um culto reverente.

Mas o pior desta lesta,
este é o meu desconsolo,
os pobres roem as cascas,
os maraus papam miolo…

Os pobres vivem famintos,
quasi sem pão, nem camisa,
outros em risos e festas
sua existência desliza.

Só nos resta a pele e o osso
neste jogo malabar,
oh! que artistas tão distintos,
ninguém os pôde igualar!

Mas quando virá um dia
a terminar esta farsa?
Jogador de pau valente
para varrer uma praça?

Quando surgirá um braço
cheio de força e de orgulho,
empunhando com denodo
o mais famoso estadulho?!

(…)

José Cypriano da Costa Goodolphim – 1907